Cantiga da Ribeirinha

Olá, leitores!

Conheçam a Cantiga da Ribeirinha, considerado o primeiro texto de literatura escrito em galego-português.

Criado pelo trovador Paio Soares de Taveirós, sua origem causa controvérsia entre estudiosos, acredita-se que foi composta no século XII.

Quem eram os trovadores? Homens da nobreza do período medieval, que compunham poesias e canções junto com seus instrumentos musicais tais como lira, harpa, viola, flauta e alaúde

O nome dado à obra “Ribeirinha” foi inspirado em Maria, amante do Rei de Portugal, Sancho I.

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Foto: Reprodução

A musa da cantiga é descrita como  “branca de pele, de fulvos cabelos, bonita, sedutora“, qualidades que encantaram o soberano e cativaram os nobres de sua Corte.

Original

No mundo non me sei pareiha,

Mentre me for como me vai,
Ca já moiro por vós – e ai!
Mia senhor branca e vermelha,
Queredes que vos retraia
Quando vos eu vi em saia!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel di’, ai!
Me foi a mim mui mal,
E vós, filha de don Paai
Moniz, e bem vos semelha
D’haver eu por vós guarvaia,
Pois, eu, mia senhor, d’alfaia
Nunca de vós houve nen hei
Valia d’ua Correa.

Tradução ao português contemporâneo

No mundo não conheço quem se compare
A mim enquanto eu viver como vivo,
Pois eu moro por vós – ai!
Pálida senhora de face rosada,
Quereis que eu vos retrate
Quando eu vos vi sem manto!
Infeliz o dia em que acordei,
Que então eu vos vi linda!
E, minha senhora, desde aquele dia, ai!
As coisas ficaram mal para mim,
E vós, filha de Dom Paio
Moniz, tendes a impressão de
Que eu possuo roupa luxuosa para vós,
Pois, eu, minha senhora, de presente
Nunca tive de vós nem terei
O mimo de uma correia

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Foto: Reprodução

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TAG: SÉRIES; COOKED (Michael Pollan)

Olá, leitores!

Hoje quero falar de um assunto diferente, eu adoro cozinhar e ler sobre alimentação saudável, escolhas alimentares, história da culinária etc. Buscando documentários encontrei a série Cooked no Netflix e resolvi compartilhar com vocês.

COOKED

A série é inspirada no livro “Cozinhar, Uma História Natural da Transformação” e é divida em elementos: água, ar, terra e fogo e como esses procedimentos moldaram a culinária, muito mais que um programa sobre comida, irá buscar as origens do processo de preparar os alimentos nos mais variados países e como isso está ligado a questão cultural. Além disso é um convite para COZINHAR seus próprios alimentos, conhecer o que você come e seus hábitos alimentares.

A série inspirada no livro

Michael Pollan

É um jornalista americano, professor da Universidade da Califórnia, que escreveu diversos livros acerca da alimentação,  tais como: O dilema do onívoro; Em defesa da comida; Saber comer as 64 regras; Regras da comida; Cozinhar, Uma História Natural da Transformação. Além disso, ele também é o protagonista da série e irá entrevistar várias pessoas (inclusive a professora de culinária que ele contratou) e também preparar as receitas, as quais podemos reproduzir em casa, em especial o pão caseiro.

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Dicas retiradas do livro: Cozinhar, Uma História Natural da Transformação

Assistam a série e me contem se gostaram, tenho certeza que você irá querer cozinhar depois do programa. Segue o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=epMAq5WYJk4

Foto: Reprodução

Dom Pedro II – Grande Tradutor

Olá, leitores!

Hoje venho falar de um tema desconhecido até mesmo por estudantes de letras, baseado em artigos de pesquisadores da UFSC E USP são:

1-D. Pedro II tradutor: análise do processo criativo UFSC (Sergio Romanelli, Adriano Mafra, Rosane Souza)

2-D. Pedro II, Monarca-Tradutor USP (Marcia Amaral Peixoto Martins, Anna Olga Prudente de Oliveira)

IMPERADOR DAS LETRAS?

Nosso Imperador Dom Pedro II foi um grande intelectual, apreciador de diversos idiomas, dominava várias línguas dentre elas: português, francês, hebraico, grego, inglês, italiano alemão e árabe (era grande admirador da cultura oriental). Traduziu diversas obras da literatura mundial, que vão desde partes da Divina Comédia de Dante, até aos contos das Mil e Uma Noites.

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Retrato: Almeida Junior

MIL E UMA NOITES

É uma coleção de contos populares do Oriente Médio, foi escrito em árabe entre os séculos XII e XVI, preservando a tradição oral dos povos da Pérsia e Índia. Dentre os contos podemos nos lembrar daqueles tal como Ali Babá e os quarenta ladrões, Simbad o marujo e Schahrazad. Foi traduzida para o francês por Antonie Galland no século XVIII.

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Esse post me faz refletir sobre a importância da tradução e da existência de tradutores. E quanto isso influenciará profundamente o que conhecemos do mundo, sob a perspectiva da literatura.

Foto:Reprodução

TAG: Lendo Clássicos Mundiais: O velho e o Mar #Hemingway

Olá, leitores!

Hoje trago um livro que me emocionou muito e dedico aos amantes do mar, estes se sentirão em casa. Esta obra repleta de sensibilidade foi agraciada com o Prêmio Pulitzer.

O AUTOR

Hemingway foi um escritor norte-americano, ganhador também do Prêmio Nobel de Literatura. Seu pai era médico e gostaria que o filho seguisse a mesma carreira, entretanto seu talento era a literatura e logo começou a trabalhar como jornalista no The Kansas City Star.

Apesar disso, com apenas 19 anos se alista no exército, não sendo convocado por problemas de visão,  consegue uma vaga de motorista da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial e em uma de suas missões é atingido nas pernas por um morteiro.

Já no período pós-guerra frequentou também países tal como Espanha e França. E na velhice vai para Cuba, local que morou por alguns anos e praticava sua outra grande paixão: a pesca em alto-mar do Marlim (peixe-espada).

Ou seja, toda sua obra é reflexo de suas experiências nos lugares onde passou: O velho e o mar (Havana), O sol também se levanta (Paris pós guerra, Pamplona e suas touradas), Adeus às armas (período em que trabalhava na Cruz Vermelha da Itália), o que torna seus personagens genuínos e sua obra verossímil.

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Hemingway e sua pesca: John F. Kennedy Presidential Library and Museum

O VELHO E O MAR

O livro é curto e a leitura flui levemente, 109 páginas, ótimo para ler em uma viagem ou em um final de semana chuvoso, a edição que li era da editora Bertrand Brasil, possui  também  belas ilustrações:

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Mas vamos ao que interessa: O VELHO E O MAR, o romance se passa em Cuba retratará o cotidiano do velho Santiago, pescador muito humilde que está em alto-mar próximo a região da Corrente do Golfo, está há 84 dias sem pegar nenhum peixe. Em contraste o outro personagem principal é Manolín um jovem menino que o incentiva a continuar tentando, entusiasta, admira Santiago por sua experiência e o acompanha desde pequeno em diversas tardes de pesca.

Porém, após tantos dias sem pegar nenhum peixe os pais do menino decidem que ele deve mudar de barco e não continuar com Santiago, acreditam que o velho esteja numa “onda de azar”, a contra gosto do menino, mas obedecendo os pais Manolín vai para um barco que logo pegará peixes frescos.

Diante disto, Santiago vai à pesca sozinho, cercado apenas pelo mar, tartarugas , peixes voadores e águas-vivas ele se mantém determinado encontrar um espadarte. Sendo um pescador experiente ele consegue finalmente fisgar o peixe e então começa uma batalha que irá durar vários dias, pois o peixe é grande e resistente. Este peixe mudaria sua vida.

Passam-se vários dias, a comida e a água potável de Santiago estão acabando e apesar das noites mal dormidas com paciência Santiago permanece a sua luta, sabe que este peixe lhe traria muito orgulho e poderia alimentar muitas pessoas. Sente falta do garoto, sempre disposto a ajudar. A certo ponto a pesca já se tornou rude, suas mãos estão machucadas, pois segurou a linha de pesca com firmeza por vários dias.

O sofrimento é certo, somados aos  delírios causados pelo cansaço e desidratação o fazem pensar que deveria nunca ter pescado este belo peixe. Entretanto, o personagem demonstra superação e então diz a frase célebre:

“Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.”

Finalmente consegue derrotar o peixe e o amarra ao barco, no entanto não esperava que este não seria o maior desafio de sua viagem. Ao tentar voltar para sua cidade com o espadarte, sofre diversos ataques de tubarões famintos.  Fazendo com que ao desembarcar apenas tenha consigo o esqueleto do peixe.

Rastejando finalmente chega na sua casa e exausto cai no sono. Acorda somente no outro dia com Manolín ao seu lado,  o menino preocupado com seu sumiço.

O oceano é muito grande e o esquife é pequeno e difícil de ver — comentou o velho.

E notou como era agradável ter com quem falar, em vez de falar só consigo e com o mar. — Senti a tua falta — disse. — Que apanhaste?

 No primeiro dia, um. Outro no segundo, e dois no terceiro. — Foi muito bom. —

Agora voltamos a pescar juntos. —

Não. Eu não tenho sorte. Já não torno a ter sorte.

Para o diabo a sorte. Eu levo a sorte comigo. –

(diálogo final dos personagens extraído do livro)

A simplicidade da narrativa, a amizade e a fé inabalável de Santiago são comoventes, com certeza uma das minhas melhores leituras de 2017. E também um dos livros mais vendidos de Hemingway no Brasil.

Gostaram? Boa leitura!

Fotos: Reprodução

Processo criativo: Storyboards

Olá, leitores!

Sempre gostei de desenhar, gastava folhas e folhas de papel A4 experimentando técnicas, na falta de folhas de seda (transparentes) passava óleo de cozinha na folha para copiar os desenhos das revistinhas, várias tardes assistindo vídeos ensinando técnicas de sombreamento, aquarela, nanquim, mas sobretudo o que mais me deleitava era buscar o processo criativo dou autores.

Então descobri os storyboards e me encantei.  Mas afinal o  que são os storyboards?  Em sua essência é basicamente um roteiro visual narrando as principais cenas de uma obra audiovisual,  ou seja o esqueleto da obra.

Seguem alguns Storyboards do Hayao Miyazaki

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p8

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(Hayao Miyazaki desenhando)

Ps: O resultado de todo este trabalho manual torna a animação tão bonita e sensível. O contraste é evidente, se compararmos com animações apenas computadorizadas.

Reprodução: Pinterest

http://halcyonrealms.com

O Poder do Hábito

Olá, leitores!

Hoje trago mais uma dica literária, confesso que este livro sempre me chamou atenção por sua capa amarela, que se destacava na livraria, na sessão de “Empreendedorismo & Negócios”. Entretanto, como imaginava ser apenas mais um livro raso, falando de um tema geral sem o rigor científico e com um título “batido”, não havia iniciado a leitura.

Contudo, esta semana  resolvi encará-lo. A surpresa foi positiva. Conforme consta na contra capa, segue a sinopse:

“Com base na leitura de centenas de artigos acadêmicos, entrevistas com mais de 300 cientistas e executivos, além de pesquisas realizadas em dezenas de empresas, o repórter investigativo do “New York Times” Charles Duhigg elabora, em “O Poder do Hábito”

Ou seja, ao contrário de meu julgamento o livro tem muito trabalho científico por trás de seu conteúdo.

O mais fascinante ao ler este livro é perceber que quando agimos de acordo com o hábito a atividade cerebral é menor. O que permite que nosso cérebro descanse (extremamente necessário, caso contrário entraríamos em “pane”). Esse fato é retratado  no livro com diversos gráficos ee experimento científicos, seja com animais ou com humanos.

Conforme o livro, para entender melhor como funciona o hábito, podemos dividi-lo em três etapas: A deixa que é quando algo te estimula a entrar nesse modo automático e seleciona um hábito já conhecido pelo cérebro; depois a rotina fazendo algo do mesmo modo, mecanicamente; e finalmente a recompensa que é algo que seu cérebro julga prazeroso e portanto este sabe que vale a pena memorizar este “loop”.

O Poder do Hábito

Ilustração página 45.

Eis a formula do livro para a mudança de um hábito ruim:

  1. Identifique as deixas e suas recompensas.
  2. Insira uma nova rotina e mantenha as mesmas deixas e recompensas.

No exemplo do alcoolismo: muitas deixas eram frustrações e as recompensas relaxamento. Desta maneira, procure novas rotinas para relaxar, seja esporte, conversar com amigos ou até mesmo ver um filme de comédia.

Outra parte interessante deste livro é compreender como grande corporações utilizam o hábito para atrair seus consumidores, tornando-os compradores assíduos de determinado produto, que antes estatisticamente nem fazia parte de determinada rotina do indivíduo ou população.

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Contudo, o livro é uma leitura leve e que poderá ajudar o leitor a compreender melhor seus hábitos e alterá-los caso este seja seu objetivo.

Foto: Reprodução / Editora Objetiva